Tecnologias da Informação aplicadas à Biblioteconomia e Ciência da Informação


GLOSSÁRIO DE CONCEITOS

O Núcleo de Estudos em Tecnologias da Informação e Conhecimento/UFMG desenvolveu um glossário que ajuda a saber que não sabemos.

 

Veja alguns exemplos abaixo e visite o site para se sentir provocado a conhecer mais!

 

Ontologia: na filosofia, o termo ontologia está intimamente ligado ao estudo dos seres, das coisas enquanto seres, dos objetos enquanto coisas, denominados - os seres e as coisas - , genericamente, como entidades. Sua adaptação para a ciência da computação adiciona ao termo taxonomia as especificações das relações entre as entidades mais um conjunto de regras automáticas de inferência e ações associadas. é uma descrição formal dos conceitos e relacionamentos que existem dentro de um domínio. Isso significa que uma ontologia se relaciona com um vocabulário específico, uma linguagem específica e a conceitualização de determinado domínio. Ver Classificação, Taxonomia e Thesaurus.

 

OWL: Ontology Web Language. Linguagem proposta pelo W3C como padrão para a representação em lógica descritiva de ontologias. Escrita em XML

 

RDF: Resource Description Framework. Linguagem escrita em XML utilizada para representação de ontologias por meio de triplas (recurso, propriedade, valor).

como um sistema de classificação tendo por base, normalmente, uma hierarquia de termos e conceitos, na qual os termos localizados nos níveis mais baixos representam os aspectos mais específicos do conteúdo. Até recentemente, o seu interesse era restrito a profissionais da área de ciência da informação, biblioteconomia ou especialistas em determinadas ciências, como a biologia, mas agora é parte do interesse dos profissionais da gestão do conhecimento. A correta definição e classificação das bases de conhecimento de uma empresa, ou seja, uma estrutura adequada de termos e conceitos tornou-se fundamental para a gestão da Intranet, portais, etc. Ver Classificação, Ontologia e Thesaurus.

Web Semântica: A web semântica é uma extensão da web atual em que a informação possui um signicado dado bem definido, permitindo computadores e pessoas a trabalharem em cooperação.





Escrito por Renate às 14h50
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PORTAIS CORPORATIVOS

Fonte : IT WEB, 09/12/2003 - por Rachel Rubim 

O link http://www.informationweek.com.br/napratica/artigo.asp?id=44819 leva você para o artigo "Muito além do jornalzinho". Leia e sinta o poder de fogo de um portal corporativo na comunicação interna e na necessidade de ter por trás um tratamento da informação e documentação disponibilizada. É gerenciamento de conteúdo puro e um belo espaço no mercado de trabalho para bibliotecários.



Escrito por Renate às 13h44
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TRABALHO INDIVIDUAL

Durante este semestre, você leu diversos artigos, assistiu as aulas e participou de seminários e palestras. Com todas essas atividades, podemos afirmar que o seu conhecimento sobre tecnologias da informação não é o mesmo de quando você começou o curso.

 

Procure identificar o que mais lhe marcou, quais foram os assuntos que mais lhe atraíram e com os quais você mais se identificou.(mínimo de 20 linhas)

Em seguida, leia o que vc acabou de escrever e exercite a sua imaginação tentando imaginar sobre o que mais irá marcar a nossa área de Biblioteconomia e Ciência da Informação em termos de tecnologias da informação nos próximos anos. Escreva no mínimo mais 10 linhas.

 

Neste trabalho será avaliado o conhecimento adquirido ao longo do curso.

A nota será de 0 a 8 e os trabalhos individuais entregues continuarão a valer 2,0 pontos.

 

Os trabalhos deverão ser redigidos a mão e entregues em papel de prova com etiqueta identificadora até o dia 22 (diurno) e 23 (noturno).

Favor não enviar este trabalho por e-mail. Qualquer problema, deixem o trabalho na secretaria até o dia 23 de junho.

 

As folhas etiquetadas estão sendo entregues por mim em sala de aula. Caso alguém falte, favor retirar na secretaria após o dia 15 (diurno) e 16 (noturno)

 

Bom trabalho!



Escrito por Renate às 10h58
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EMERALD - UM PROVEDOR DE CONTEÚDO

O link

 http://ninetta.emerald-library.com/vl=2813466/cl=52/nw=1/rpsv/librarylink/index.htm

Irá levar vocês ao portal do Emerald, uma empresa cuja missão é prover informação. Ela reúne ótimas publicações na nossa área. Estando no endereço acima, busque o ícone For librarians (Para Bibliotecários) bem no topo da página , e veja tudo o que  o portal oferece para bibliotecários.  No último menu no Box à esquerda, vc encontra a Library Link Testimonials, , testemunhos de bibliotecários que se utilizam do Emerald. É bacana, pois faz você ter uma idéia do tipo de serviços que o portal presta para seus usuários.

 

Na linha verde, no topo da página, clique em Free Trials e se cadastre por um prazo de 30 dias, podendo baixar alguns documentos na íntegra.

No ícone ao lado do Free Trials, Emerald Alerts, vc se cadastra para receber o sumário das publicações que vc escolher.

 

Vale a pena navegar por esse site e começar a treinar o inglês técnico. Os termos se repetem e se vc adquirir o hábito de ir procurando as palavras no dicionário, vai ficando cada vez mais fácil.



Escrito por Renate às 14h20
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"REFORMA AGRÁRIA" NO DIREITO AUTORAL


Fonte: FSP, 03/06/04 - Caderno Ilustrada - por Diego Assis

Já pensou em copiar, recriar e distribuir de graça uma música de Gilberto Gil na rede? Agora pode.
O cantor e ministro da Cultura é o primeiro artista brasileiro a aderir publicamente à licença Creative Commons, que está sendo lançada oficialmente amanhã em debate no 5º Fórum Internacional de Software Livre de Porto Alegre.
Foi justamente essa licença, que permite que uma obra seja copiada, remixada e compartilhada digitalmente, que possibilitou ao DJ Dolores retrabalhar a faixa "Oslodum", do disco "O Sol de Oslo" (1998), de Gil, sem esbarrar numa jornada burocrática para a liberação dos direitos autorais.
A versão vai integrar um CD da edição de agosto da revista americana "Wired", dedicado aos novos rumos da economia musical.
Aberta a qualquer produtor cultural interessado (músicos, cineastas, fotógrafos, escritores...), a Creative Commons, criada nos EUA em 2001, vem sendo adaptada por um grupo de especialistas da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, desde meados de 2003. Disponível no
www.creativecommons.org, tem como objetivo criar um meio termo legal entre o "todos os direitos reservados", dos contratos de direito autoral tradicionais, e o domínio público.
"Do jeito que está hoje é 100% não. Ninguém pode usar uma obra, para fins comerciais ou não, sem autorização. Tudo é protegido, mesmo que muitos artistas se interessem em liberar para conseguir divulgação", afirma Ronaldo Lemos, 28, mestre em direito pela faculdade de Harvard e um dos principais responsáveis pela adaptação da licença para o país. "O Creative Commons joga com desde o "pode tudo" até o "pode fazer alguma coisa". Não são todos, mas "alguns direitos reservados"."
"É necessário mudar a idéia de que, se não controlarem todo o uso de suas obras, os produtores estão perdendo. Não temos controle se as pessoas assobiam músicas para elas mesmas ou as cantam no chuveiro", disse à Folha por telefone Lawrence Lessig, professor da universidade Stanford e ideólogo do Creative Commons, que participa da discussão amanhã em Porto Alegre.
Um exemplo prático é a banda pernambucana Mombojó. Lançado há poucos meses de modo independente, o disco de estréia do grupo teve grande parte de suas faixas disponibilizadas gratuitamente na internet. "A briga maior de uma banda independente hoje é a distribuição. E a internet nos deu isso de presente: o site é o escritório da banda", defende o vocalista Felipe S. Sob a licença Creative Commons, o grupo pretende liberar em seu site três faixas para remix de outros artistas.
Outros "independentes", como a rede inglesa de TV BBC, também se pronunciaram sobre o modelo: "Creio que estejamos prestes a passar a uma segunda fase na revolução digital, uma fase mais focada no valor público que no privado; sobre serviços gratuitos, não pagos; sobre inclusão, não exclusão", disse em agosto passado Greg Dyke, então diretor da estatal, anunciando a intenção de tornar livre, na internet, o uso não comercial do histórico acervo de programas da BBC. Na última semana, a BBC voltou a tocar no assunto, informando que usaria a licença Creative Commons para viabilizar legalmente o projeto.
"A flexibilização da propriedade intelectual deixou de ser algo alternativo, que corre por fora dos marcos legais. Há uma aliança com o pensamento júrídico internacional", declarou Gil. "O que estamos precisando é de uma certa reforma agrária no campo da propriedade intelectual."

 

VEJA ENTREVISTA COM UM DOS CRIADORES DESTA TECNOLOGIA NO POST SEGUINTE.




Escrito por Renate às 13h07
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"REFORMA AGRÁRIA" NO DIREITO AUTORAL

Fonte: FSP, 03/06/04 - Caderno Ilustrada

Continuação da reportagem acima.

Entrevista com um dos criadores do Creative Commons, tecnologia que irá promover a difusão cultural a partir  da vontade e controle do autor.

Folha - Que mudança a internet trouxe no modo como a cultura é produzida atualmente?
Lawrence Lessig -
A tecnologia digital, não só a internet, possibilitou às pessoas produzirem cultura de uma maneira nova. A possibilidade de samplear conteúdo e remixá-lo, fazer colagens. E, por ser tão barata, mais pessoas podem participar criativamente.

Folha - O que você quer dizer quando se refere a "cultura livre"?
Lessig -
Devemos pensar cultura livre como expressão livre, mercado livre ou sociedade livre. Não significa que não haja propriedade, mas que os limites da propriedade estejam balanceados por valores importantes de acesso e democratização de conteúdo. É um ideal que a maioria das sociedades livres respeita. Os Estados Unidos certamente respeitaram por muito tempo, mas acho que perdemos isso recentemente.

Folha - Dá para detectar o momento em que os EUA deixaram de ser uma cultura livre?
Lessig -
Não tenho certeza. É como o sapo colocado em uma panela de água fervendo. Ele nunca percebe até que seja tarde demais. Estamos vendo isso acontecer. Já faz parte de nossa segunda natureza pensar que você precisa de permissão para fazer qualquer coisa com a cultura. E essa é a característica mais perigosa do sistema legal que está nascendo.

Folha - No livro, você afirma que a inovação técnica prevaleceu sobre os monopólios no passado. A internet não está conseguindo?
Lessig -
Há duas coisas acontecendo. Uma é a atitude com a propriedade. Estamos mais céticos a respeito do poder que o copyright dá aos monopólios. A segunda é que esse poder está mais forte agora do que jamais foi. Ele é mais invasivo e cobre todas as áreas.

Folha - As gravadoras continuam processando quem baixa músicas ilegalmente. O que o faz esperar que isso mude em curto prazo?
Lessig -
Acho que a indústria já venceu a batalha no curto prazo. Escrevo para alertar as pessoas do porquê de esse resultado ser algo com que deveriam se preocupar.

Folha - Você tem esperança?
Lessig -
Não. Quero dizer, em certo contexto. Quando vou ao Brasil e vejo o que Gil está fazendo, acho que isso pode funcionar como uma mensagem alternativa ao governo dos EUA. É um grande motivo para ficar esperançoso. Vamos ver as conseqüências.

Folha - Como convenceria um artista a adotar o Creative Commons?
Lessig -
No momento, dou a ele a chance de experimentar. Ver se ajuda a divulgar e vender sua música e encorajar outras inovações criativas em torno da obra. Se a experiência for ruim, vá tentar alguma outra coisa. Não deve haver uma ideologia que pregue um único modo de produzir e distribuir música e que quem se desviar disso passe a ser um criminoso.



Escrito por Renate às 13h00
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INTERNET "INVISÍVEL"

Fonte: Mundo Digital/UOL em 07/11/2003, por  Renato Rodrigues

Busca na Web: Internet "invisível" esconde montanhas de informação

Por incrível que pareça, a Internet é muito maior do que aquela ao alcance dos buscadores. Também há muita informação em bancos de dados que são estão indexados na Web. Esta montanha de informação é conhecida como "Internet invisível". Para sorte do internauta, muito da Internet oculta está em bancos de dados que podem ser vasculhados via Web. Os resultados de muitos desses bancos de dados são apresentados em páginas Web -mas essas páginas são geradas apenas para aquela busca, por isso não estão ao alcance dos buscadores. Outra parte invisível da Web é aquela composta por páginas que os buscadores excluem por política própria. Não há razão técnica para essa exclusão. Nesse caso, cabe a cada buscador decidir o que entra ou não entra em suas enormes base de dados, que são caras de manter e produzem pouca receita.

A tabela abaixo compara os melhores sites especializados em caçar informações em bancos de dados ocultos da Web visível:

Diretório de Bases de Dados Librarians' Index Infomine Academic Info About.com
Tamanho Mais de 11 mil. Compilado por bibliotecários. Somente bancos de alta qualidade. Mais de 115 mil. Compilado por bibliotecários e estudantes universitários. Ótima seleção. Anotações curtas sobre os bancos. Mais de 1 milhão. Em geral, boas dicas, espalhadas nos "Guides", com vários níveis de profundidade.
 
Procura por frase Sim. Usa "" Sim. Usa "" Não Sim. Usa ""
 
Lógica Booleana Aceita OR e NOT Aceita OR Aceita AND, OR, NOT Não
 
Pesquisa por campo O link Advanced Search permite busca Booleana com assunto, títulos, descrição, partes de URLs e mais. Botões abaixo da caixa de busca permitem limitar a busca por KW (palavra-chave); SU (assunto); TI (título); AU (autor); AN (anotação) Não Não
 

O Google e outros buscadores famosos também podem ser usados para achar bancos de dados. Para isso, basta digitar um termo e a palavra "database". Se o banco de dados usa a palavra "database" em suas páginas, é bem provável que ele seja encontrado no Google. O termo "database" também é útil no Yahoo!, que trabalha com o sistema de diretórios. Exemplos: poisons database; languages database; traffic accidents database; etc.

A tabela abaixo descreve alguns dos principais diretórios da Web que podem ser usados para pesquisa em bancos de dados acadêmicos.

Diretório de Bases de Dados Avaliações dos Bancos Caixas de Busca
The Invisible Web Directory Notas curtas, pouca avaliação quantitativa Não. Links para caixas de busca em outros sites
 
Direct Search Notas curtas Não
 
The Invisible Web Catalog Excelente Sim, quase sempre
 
Internets Nenhuma Raramente
 
Complete Planet Descrições breves Algumas vezes



Escrito por Renate às 16h06
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DIREITOS DE REPRODUÇÃO

Fonte: Plantão Info UOL, 31/05/04 - por Airton Lopes

Sistema alternativo de copyright chega ao Brasil

O Creative Commons, projeto que propõe uma série de licenças para uso diversos de software e obras artísticas distribuídas por meio digital e se apresenta como alternativa ao sistema de copyright tradicional, estará disponível oficialmente no país a partir da sexta-feira (04).

Liderada pelo advogado americano Lawrence Lessig, uma dos mais respeitados especialistas em direito digital, a Creative Commons (CC) oferece aos detentores de direito autoral uma série de licenças em diferentes níveis para a distribuição de suas obras. Ela permite liberar o conteúdo completamente, para uso sem fins comerciais ou apenas para download, entre outras modalidades.

O braço brasileiro da CC ficará sob responsabilidade do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, dirigido pelo advogado Ronaldo Lemos. O Brasil é um dos primeiros países a adotar a CC, junto com o Japão e a Finlândia. Mas, segundo a CC, até o final de 2005 cerca de 50 países já devem ter aderido ao projeto.

O lançamento oficial da CC acontece durante o Fórum Software Livre, em Porto Alegre. O próprio Lessig, que também é professor de direito da universidade de Stanford e agora faz parte da diretoria da Free Software Foundation, é o convidado de honra do evento. Gilberto Gil, ministro da Cultura, e Willian Fischer, diretor do Centro Berkman e do Programa de Harvard de História do Direito também estarão presentes.

 

 

 


 

 

 
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Escrito por Renate às 11h26
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SOCIEDADE INFORMACIONAL X TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Fonte: Lista de discussão do IBICT - bibvirt - 26/05/04

Como utilizar os recursos da tecnologia da informação para
produzir novos conhecimentos?

A indicação de respostas a esta indagação foi apontada nesta
terça-feira por José Vicente Tavares dos Santos, da UFRS,
presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia, na
palestra 'Sociedade da Informação: um novo patamar da
investigação científica', na reunião regional da SBPC, em
Porto Alegre. O palestrante foi apresentado por Gilson Lima,
da Unisinos

O sociólogo não discorreu sobre o que é a sociedade da
informação. Em vez disso, enfocou as mudanças que a
tecnologia da informação coloca para o ensino de ciências em
todos os níveis.

'Devemos educar as pessoas a ter novos conhecimentos usando
as ferramentas da sociedade da informação', afirmou José
Vicente.

Ele recomenda 'participar como um cidadão informacional das
potencialidades que tem a sociedade da informação, e observa
que a tensão produtiva gerada por estas tecnologias leva a um
novo patamar do conhecimento e da liberdade'. Como atitude
diante destas ferramentas, José Vicente argumenta que se deve
sair da posição reativa.

'É preciso conhecer usos novos da tecnologia; não ser
dominados por ela', disse o sociólogo. Para ele, a tecnologia
deve ser usada como ferramenta para o aprendizado do novo
conhecimento.

Segundo José Vicente, a tecnologia da informação é uma
inteligência social coletiva com a qual interagimos. O
sociólogo levanta a hipótese de que o uso das novas
tecnologias da informação tem um efeito não apenas sobre
algumas tarefas, mas sobre o modo de pensar, de conhecer, de
aprender o mundo.

José Vicente avalia que o cyber espaço é especialmente
social, é um ser vivo. 'Estamos diante de uma inteligência
social coletiva', conceitua, ao lembrar que o computador, a
Internet, são feitos pelo homem, são meios pelos quais
queremos atingir determinado fim, que nós definimos.

'É uma inteligência social coletiva com a qual interagimos',
diz o sociólogo. Ele observa que 'no mundo virtual, a noção
de representação muda. Não é mais de significado e
significante'. O sociólogo cita exemplos das mudanças no
tempo, no espaço, na memória, na percepção e na imaginação.

Mostra que as aulas de medicina legal hoje não precisam do
cadáver, desde que o corpo humano foi serrado em fatias
nanométricas, escaneado através de microscopia eletrônica e
colocado em CD-Rom. Com os meios eletrônicos, o espaço se
tornou mundializado e mudou o ritmo do tempo, tornando
possível ver do Brasil o Ano Novo sendo comemorado primeiro
na Austrália ou então mergulhando no passado longínquo da era
dos dinossauros, via CD-rom ou Internet.

Menciona também os efeitos da tecnologia da informação na
carreira de juiz, que privilegiou o saber enumerativo só das
leis, e não da vida, que possibilitou em concursos o acesso
ao cargo de juízes de 25 anos. Hoje se pode encontrar em um
CD de R$ 10,00 todas as petições que os juízes teriam de
escrever, diz o sociólogo.

Ao contrário dos romances escritos, em que o texto supunha
cumplicidade do leitor ao compor o quadro na sua mente, as
cores, os odores, o mundo virtual não precisa dessa
imaginação, compara José Vicente. 'Há um deslocamento da
imaginação', acentua. Nos jogos com realidade virtual, se
pode simular seqüências de acontecimentos, testemunha, com
base na prática com a sua filhe de 1,8 ano.

Graças à Internet, o sociólogo conta que reconstituiu o
conteúdo de 12 das 36 reuniões mundiais realizadas no mundo
nos anos 90 sobre a crise da política e insegurança, das
quais participou de 10. Ele apresentou o resultado deste
estudo num congresso internacional, que analisou ainda temas
como controle social, violência e como responder a isso. 'Não
teria feito este trabalho com a Internet', diz.

Outro trabalho foi feito por ele com o software SRQ NVIVO -
que permite a análise de discurso e de dados - sobre o
conteúdo de 3 mil páginas de entrevistas feitas em Porto
Alegre. A pesquisa abordou a problemática da violência, e foi
feita sobre o material bruto com a varredura por palavras -
medo, insegurança - seguida da modulação cognitiva. Outro
software georeferenciado cruzou os dados para situar por
bairros a realidade apurada.

O professor assinala que a análise de discurso feita com o
software NVIVO trouxe não só economia de tempo mas de
materiais, abriu infinitas leituras do mesmo material e
possibilitou ainda lançar novas perguntas sobre os resultados
obtidos.

O Sistema de indexação e de teorização sobre informações
qualitativas não-estruturadas (NVIVO), segundo ele, 'é um
sistema inteligente de última geração que possibilita
realizar uma pesquisa qualitativa de mensagens e de
discursos, mas também de materiais visuais, mediante um
conjunto de meios para descobrir e explorar os sentidos das
informações alfanuméricas não-estruturadas'.

A ferramenta, além de gerenciar e de servir para criar idéias
sobre documentos, gerencia categorias de entendimento,
permite a formulação de questões sobre as informações, a
construção e o teste de teorias sobre um corpo de
informações. O sociólogo utiliza o NVIVO para analisar
entrevistas e avalia que será útil também para analisar
documentos digitalizados ou obtidos na Internet.

'O software foi desenhado para colocar questões e construir e
testar teorias', diz José Vicente. Segundo ele, a sociologia
no século XXI, tensionada pelo uso virtual das metodologias
informacionais, quiçá estimule a paixão de fazer ciência, o
exercício da crítica e o belo prazer da escrita e
processamento do texto sociológico', escreveu José Vicente no
trabalho 'Os efeitos das metodologias informacionais na
Sociologia Contemporânea'.

'A linguagem informacional poderá possibilitar a superação
das antigas antinomias, pelo uso combinado e aplicado de
diversos métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa,
vindo a configurar um padrão de trabalho científico que
poderíamos denominar de sociologia informacional, cujos
delineamentos precisos estão em curso de fabricação pelos
praticantes deste ofício', disse José Vicente.

Convidado para dar palestras em escolas, o sociólogo conta
que os jovens no Brasil de hoje estão em diversos tempos e
espaços, que têm efeito para o aprendizado. 'A juventude vive
um tempo labiríntico que não tem mais sinal de direção. Isto
torna a tarefa do educador muito mais complexa por fatores da
cultura tecnológica do que no passado', define.

No mundo atual, em que os alunos têm mais informações que os
professores, José Vicente diz que 'o papel do professor é
fazer a crítica da informação e ajudar a produzir
conhecimentos. É relacionar conceitos e a realizada
observada. É fazer uma boa pergunta que coloca a questão de
novo conhecimento, das descoberta', afirma.



Escrito por Renate às 12h03
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