ANALÓGICO X DIGITAL
Extraído de um artigo de 21/08/03, do jornal O Estado de Minas, Coluna de B.Piropo, referenciado nos meus links. O exemplo é claro e didático, contribuindo para esclarecer definitivamente as diferenças entre os termos.
".....O termo “digital” se contrapõe a “analógico”. Como há muita gente que não entende a diferença, vamos recorrer a um exemplo bem simples e hoje em dia bastante comum para explicar: as câmaras fotográficas, das quais também existem modelos analógicos e digitais. Ambas usam lentes para projetar a imagem do mundo exterior em uma superfície interna, sensível à luz. Nas analógicas essa superfície é o filme que, depois de revelado, exibirá um conjunto de pontos coloridos que, juntos, apresentam uma analogia perfeita com a imagem original. Um meio analógico, portanto, de armazenar a imagem. Nas câmaras digitais a superfície sensível é formada por um conjunto de microscópicas células fotoelétricas recobertas com filtros que deixam passar apenas uma das três cores fundamentais. Cada três células corresponde a um ponto da imagem. A quantidade de luz recebida em cada ponto gera uma corrente elétrica proporcional à intensidade da luz daquela cor e que é convertida em um número. Esses números são armazenados, um após o outro, conforme sua posição na “imagem”. Se você reconstituir a cor correspondente a cada um desses números exatamente na posição em que ele foi capturado na superfície sensível, recomporá a imagem em suas cores originais. Uma imagem que foi codificada em números. Que também são conhecidos por “dígitos”. Ou seja: a imagem foi digitalizada. Digitalizar é isso: codificar, sob a forma de números, grandezas do mundo real. Sons também podem ser digitalizados (um som é uma combinação de números que exprimem sua freqüência, amplitude, timbre e outras características). E é mais simples transmitir informações digitalizadas que sob a forma analógica. Isso deu origem à segunda geração da telefonia celular, a 2G: a voz é digitalizada na origem e transmitida sob a forma de um sinal digital que é reconvertido em som no aparelho que recebe....."
Escrito por Renate às 14h51
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TECNOLOGIA CRIATIVA
Comentário: olhem só esse "case". A bibliotecária, Elizabeth Mesquita, de Sud Menucci com prestígio por ter tomado a iniciativa de levar a tecnologia onde o povo está!
FSP, 06/02/05 - Caderno Dinheiro
Cidade de 7.500 habitantes disponibiliza rede gratuita à população e muda hábitos de compra e comportamento
Acesso à internet leva Sud Mennucci ao mundo
MARCO AURÉLIO CANÔNICO ENVIADO A SUD MENNUCCI (SP)
A cidade tecnológica do futuro, toda interligada pela internet sem fio e gratuita, onde qualquer cidadão pode sentar na praça, abrir um notebook e já começar a navegar na rede, fica a 600 km de São Paulo, no noroeste do Estado. E não tem shopping center, nem comércio variado -qualquer compra mais "sofisticada" precisa ser feita em outras cidades e atualmente é feita em grande parte por encomenda via internet-, nem notebooks, na verdade. O município é Sud Mennucci, nomeado em homenagem ao jornalista homônimo. A cidade tem 7.500 habitantes, um Orçamento anual de R$ 11,5 milhões e um sistema de acesso à internet semelhante ao que está instalado em partes de cidades como Amsterdã (Holanda), Taipé (Taiwan) e Filadélfia (EUA). Qualquer um de seus moradores que tenha um computador com uma placa wireless (que permite a conexão sem fio) ou uma antena pode se conectar à internet em alta velocidade e gratuitamente, vencendo pela via virtual as estradas esburacadas que dão acesso às cidades vizinhas e ao resto do mundo. Além das antenas visíveis nos telhados das casas, a maior mudança verificada na cidade com a popularização da internet -anteriormente em conexão discada via interurbano, atualmente em transmissão gratuita via rádio- foi no comércio. O correio local, com seus três funcionários, é o símbolo da abertura da cidade para o resto do mundo -passou a receber quase diariamente encomendas compradas pela internet, entregues até mesmo em fazendas da zona rural da cidade. Além das compras virtuais e da redução das contas de telefone dos usuários, a cidade também tem comerciantes -de autopeças e roupas- que aproveitaram a internet gratuita para agilizar seus negócios, principalmente as transações bancárias (a cidade possui apenas duas agências), além de um jovem empreendedor que criou um negócio de importação e venda de tênis pela internet (leia texto abaixo). O prefeito Celso Junqueira (PSDB) explica que a internet de alta velocidade via rádio chegou à Sud Mennucci para resolver o problema da ausência de provedor local, que obrigava os internautas -incluindo a prefeitura e todo o sistema público- a fazer ligações interurbanas para acessar a rede. A prefeitura fez, em 2002 -na administração de Nelson Gonçalves de Assis, quando Celso era vice-prefeito-, um contrato com a Telefônica, pelo qual a empresa instalou um link de acesso na cidade, que custa atualmente R$ 3.200 mensais. A partir daí, a administração pública investiu R$ 17 mil para instalar uma antena de rádio que distribuísse o acesso para as demais secretarias municipais, além da escola, hospital, delegacia e biblioteca. O passo seguinte foi abrir o serviço para a população, já que tudo que era necessário para se conectar ao provedor da prefeitura era uma antena -cujo preço varia de R$ 300 a R$ 500- para captar o sinal. O próximo passo, diz Sérgio Soares, chefe do serviço de informática da cidade, é aproveitar a rede de transmissão de dados para fazer ligações telefônicas -pelo sistema de voz sobre IP-, o que transformará Sud Mennucci na cidade com o menor custo de ligação do país. Para isso, basta dispor de celulares modernos -e ainda caros-, equipados com a tecnologia necessária. Atualmente, o departamento de compras da prefeitura já utiliza o software Skype -que permite fazer ligações telefônicas pelo computador- em suas compras, o que acaba com os custos de ligações interurbanas. Soares estima que em 90 dias a prefeitura já terá os telefones celulares que farão ligações usando a rede de dados. O avanço que Sud Mennucci espera alcançar em breve é justamente o empecilho que a Filadélfia, nos Estados Unidos, tem tido com a instalação de sua rede de internet sem fio gratuita, patrocinada pela prefeitura. Grandes operadoras de telefonia dos EUA estão tentando impedir a prefeitura da Filadélfia de realizar seu intento, alegando que haveria concorrência desleal -justamente porque a disponibilização de uma rede de internet sem fio gratuita possibilitaria a disseminação do uso de telefones pelo sistema voz sobre IP, acabando com os custos das ligações. Semelhante preocupação parece não afligir ainda a Telefônica, operadora de telefonia de Sud Mennucci e também provedora do link por meio do qual a prefeitura dissemina a internet gratuita. A reportagem procurou a empresa, que preferiu não se manifestar. De qualquer modo, o tamanho da cidade e de sua economia sustentada pela agropecuária -com arrecadação de pouco mais de R$ 5 milhões em ICMS no ano passado- não é de fato indicativo de uma possível revolução das telecomunicações que poderia reduzir o lucro das operadoras.
Contraponto Se por um lado Sud Mennucci tem o que é possivelmente o mais avançado sistemas de internet sem fio gratuita do país, por outro não tem nem loja de produtos de informática; a prefeitura, que é o provedor local, não tem um site oficial, e, das cerca de 2.000 casas da cidade, só 107 estão ligadas ao servidor da prefeitura. Mas as mudanças de comportamento graças ao advento da internet de alta velocidade gratuita já atingem muito mais pessoas do que apenas as que têm conexão em casa. Elizabeth Mesquita, coordenadora da biblioteca municipal, único lugar que possui computadores acessíveis a toda a população, explica que, desde que eles foram instalados, a freqüência aumentou em 50%. Muitos usuários utilizaram o acesso da biblioteca para se inscrever no Prouni (Programa Universidade para Todos), que concede bolsas em instituições particulares de ensino superior a alunos de baixa renda, mas o aumento da freqüência se refletiu também no crescimento da retirada de livros -de uma média de 10 por dia para 25 por dia. O exemplo da cidade e o potencial desse acesso à internet para a população já despertam a atenção de outros municípios -funcionários das prefeituras do Rio e Curitiba, por exemplo, já procuraram a administração de Sud Mennucci atrás de informações.
Escrito por Renate às 10h36
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O CONHECIMENTO NAS MÃOS CERTAS - PARTE 2
continuação da mensagem anterior...
Outro participante, o espanhol Manuel Castells, um teórico do ciberespaço, ressaltou que a internet só atingiu o status que tem hoje por ter sido desenvolvida desde o início como uma tecnologia aberta, que pode ser criada e ampliada por todos. Os padrões da internet são livres, e se assim não fosse, não teria condições de atingir a abrangencia que tem hoje. Por isso a importância dela continuar lidando com padrões abertos em toda sua evolução daqui para a frente. Já o americano John Perry Barlow (ex-letrista da banda Grateful Dead)é co-fundador da Eletronic Frontier Fundation, outra sociedade que luta pala manutenção da liberdade no ciberespaço. Ele deixou claro sua adimiração pelo Brasil e sua cultura, e ressaltou a importância que o país tem na luta pela liberdade de expressão, com os programas de Software Livre apoiados pelo atual governo federal.
Outro depoimento importante foi de Christian Ahlert, da BBC de Londres, que está disponibilizando arquivos audiovisuais da companhia na internet, com o modelo de copyright da Creative Commons, como uma maneira de incentivar o crescimento do número de espectadores, deixando parte deste acervo livre para ser copiado e modificado. O encontro terminou com a participação do ministro da cultura Gilberto Gil, que ressaltou seu apoio e do governo ao software livre e ao Creative Commons, e a importância da tecnologia para a cultura, assim como a necessidade de manter-se esta tecnologia ao acesso de todos. Como talvez a maior parte do público estava ali presente não exatamente pela causa da liberdade digital, mas por fãs seus, Gil acertou em deixar claro o ideal Hacker, que é o de pesquisar, descobrir, construir o conhecimento e compartilhá-lo com todos, e não o de causar danos, como a maioria das pessoas equivocadamente ainda pensa.
Escrito por Renate às 17h27
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O CONHECIMENTO NAS MÃOS CERTAS - PARTE I
Comentário: vamos discutir o papel das tecnologias na democratizaçao do conhecimento? Entenda um pouco sobre a briga entre o software livre (desenvolvido por uma comunidade, tem o seu código aberto para cópia) X software proprietário (software desenvolvido e controlado por uma empresa. Seu código é sigiloso.)
Revolução digital: Software livre, liberdade do conhecimento e liberdade de expressão na Sociedade da Informação. Alexandre Morales amorales.pop - 30 Jan 2005 - extraído da lista Bib_virt
A tecnologia da informação, daqui para a frente, será de importancia vital para todas as pessoas. Se hoje, já quase não conseguimos viver sem recursos computacionais que gerenciam nossas vidas, como será daqui em diante? E agora temos este dilema: o programa que controla todas estas informações, deve pertencer a alguém ou pertencer a todos? Formamos hoje uma sociedade que é centrada e dependente da comunicação de dados, e esta comunicação se torna dia a dia mais presente, mais comum em nossas vidas, e por isso, mais importante. Por isso, e pelo motivo dela ter sido desenvolvida em um meio coletivo, é que surge a percepção, neste período de transição, de que a tecnologia deve ser um bem comum, e não um monopólio. E é atualmente, nesta briga entre produtores de software, que todos que se importam com o bem estar coletivo devem atentar-se. O software é o regente de todo este sistema. É a inteligência por trás das máquinas, é o que há de mais humano entre elas, a essência de todo o sistema digital que move o mundo e haverá de mover cada veis mais. Então, este conhecimento, esta tecnologia, deve permanecer nas mãos de quem quer fazer dinheiro com ela, ou nas mãos de pesoas que querem que a tecnologia seja um bem da humanidade, e trabalham para que toda essa evolução venham a servir vantagens para todos, sem distinçoes? É baseado nisso que se impõe esta briga ideológica entre o software livre e o proprietário. Entre um bem de todos e um simples produto de consumo. cabe a todos nós decidirmos que rumo esta briga irá tomar, e, mesmo para aqueles que nunca tiveram contato com um computador, basta saber que a vida ou a morte de pessoas dependerá básicamente disto, em um futuro muito próximo. É de se pensar. Eu já tinha lá minhas afinidades com a filosofia do Software Livre, e demais idéias de liberdade de expressão no ciberespaço. Mas depois deste encontro, com a apresentação do Advogado Lawrence Lessig, co-criador do projeto Creative Commons, esta simples afinidade torna-se a certeza que este é o caminho certo. Lessig mostrou uma apresentação refinada de porque a geração de conhecimento e arte que serão veiculados na rede devem permanecer livres. A criação descende de outras que vieram antes, e será a base para outras que virão. Por isso, deve ser livre. Ele demonstrou a criatividade digital em um processo de reaproveitamento, ou remix, e deixou bem claro ao repetir constantemente a palavra "Free" qual era o objetivo ali dele, da Creative Commons e dos outros participantes da mesa. Deixou também claro o rumo que as tecnologias digitais tomam para facilitar o acesso á produção e aproveitamento do conhecimento, e que somente a lei cria impedimentos para que isso aconteça. Citou como comparação o caso das vítimas da AIDS na áfrica em virtude das leis de patentes dos remédios, um exemplo extremo de como a lei de propriedade intelectual pode afetar diretamente os direitos mais básicos de um ser humano. A Creative Commons tem como lema "Alguns direitos Reservados" e não "Todos os direitos reservados", como a indústria prega hoje em dia. É um guia para os autores e criadores fazerem seu trabalho e distribuí-los de uma forma justa. O projeto pode ser acessado em: http://creativecommons.org/ ......continua na mensagem seguinte.
Escrito por Renate às 17h26
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