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O conceito não é novo, mas começa a ressurgir. Iniciado com os chamados computadores magros – ou thin clients, em inglês, utilizados apenas como terminais de trabalho –, ele agora reaparece sob o rótulo de thin computing, uma nova qualificação de serviço que visa atender à necessidade dos clientes por redução de custos, otimização de recursos e segurança.
Uma das responsáveis pela nova roupagem é integradora holandesa Getronics, cuja proposta prevê a oferta de uma solução de hardware, software e serviço, a qual resgata as características positivas da computação centralizada e mantém a produtividade da arquitetura distribuída. “Este é o momento certo para lançar o thin computing, pois as redes chegaram a um nível de maturidade técnica que torna possível a centralização dos dados”, acredita Marcelo Zanoni, diretor da área de business solutions da integradora.
Mas não se trata de adquirir novos equipamentos, como os Net PCs anunciados no fim dos anos 90. Ao contrário, um dos principais objetivos da proposta da Getronics é prolongar a vida útil dos desktops de uma empresa, que se tornariam em algo similar a um aparelho telefônico.“Muitas vezes, computadores antigos como um Pentium 133 MHz podem ser mantidos no ambiente, evitando grandes investimentos em novos equipamentos”, observa Zanoni.
O sistema utiliza arquitetura com software livre ou proprietário como Windows (ou os dois ao mesmo tempo). André Farneze, responsável por desenvolvimento de produtos da área de business solutions, acredita que, com o thin computing, a Getronics passa a oferecer ao mercado uma solução capaz de racionalizar as formas de executar as tarefas. “É uma mudança de paradigma na maneira de implementar a computação, resgatando as vantagens da centralização”, reforça Farneze.
Vislumbrando aplicações potenciais em diversos segmentos – como call center, help desk, aplicações remotas, universidades, clínicas, hospitais e indústria –, a Getronics pretende verticalizar soluções. Como as aplicações ficam residentes no servidor, basta trocar um terminal caso ocorra algum problema, o que elimina a necessidade de configurar tudo novamente.
As instalações de novas aplicações também são feitas de um ponto central, reduzindo a complexidade de implantação de novos produtos e sites. “Com isso, o thin computing é capaz de reduzir o TCO em até 40%”, aposta Zanoni.
O executivo reconhece que o conceito não é novo, mas afirma que agora ele é viável. “Como serviço, o cliente pode optar desde somente a hospedagem até o outsourcing total, passando pelo link, servidor, aplicativo e monitoramento do sistema”, diz.
As pedras no caminho
Embora o thin computing tenha condições de prolongar a vida útil dos PCs e de reduzir de 30% a 40% o TCO, os modelos atuais de cobrança de software podem prejudicar sua evolução. O conceito coloca fim ao modelo tradicional de comercialização de licenças, já que deixa de existir a licença do software que irá ser processado no terminal.
A Microsoft está atenta a esta questão e já estuda outros modelos de comercialização. Há várias possibilidades para a cobrança. Uma delas é pelo número de usuários concorrentes: quando se atinge o limite, o funcionário entra na fila do servidor até uma vaga estar disponível. Outro modelo seria a cobrança de uso sob demanda. Além das licenças, há no mercado outras empresas que estão trabalhando o conceito do thin client propriamente dito – é o caso da IBM, Sun, Unisys e Itautec, por exemplo. Só a Unisys tem uma base instalada de 15 mil thin clients. |