TELEFONE VAI ACABAR
Pessoal, lembram da primeira leitura sobre Sud Menucci? Mensagem de 06.02.05 (a primeira leitura a gente nunca esquece)
Pois é! Já podemos começar a contar os dias para começar a surgir uma mudança enorme nas telecomunicações.
FSP, 09.03.05 – Caderno Brasil
ELIO GASPARI
Lembra do telefone? Vai acabar
Nova York é uma cidade sabidamente pobre, com a população obrigada a viver, na média, com US$ 36 mil dólares anuais. Lá, como em diversas localidades americanas, a internet telefônica transformou-se num campo de competição empresarial. O Brasil, país sabidamente rico (US$ 3.300 anuais, na média), não precisa dessa bobagem. Talvez seja por isso que as grandes operadoras não batalham pela regulamentação do serviço, evitando assim a disputa comercial em torno de uma nova tecnologia que, na essência, prenuncia o fim do telefone como tal. Esse serviço só está disponível em Pindorama para grandes empresas. Os consumidores residenciais, se quiserem, precisam buscá-lo no exterior. Uma operadora baseada na Europa cobra US$ 13 por mês e dá aos seus assinantes americanos dez horas de telefonia, seja para onde for. Aos demais, dá tarifas de sonho. Seu programa já foi baixado em 82 milhões de computadores. Nos Estados Unidos, uma empresa cobra US$ 25 a clientes de Nova York, sem limite de tempo, safando-os de impostos e taxas. Já conseguiu 400 mil assinantes. A Comcast, uma das grandes companhias de TV a cabo do país, já anunciou que vai entrar na competição. A Microsoft desenvolveu o programa Istanbul, que empacotou num só volume as mensagens eletrônicas e o operador de internet telefônica. Houve um tempo em que as empresas estatais faziam reserva de mercado de serviços. Privatizou-se o sistema e namora-se a reserva de mercado tecnológica. A Telefônica informou ao repórter Pedro Marques que está "preparada a oferecer serviços de voz sobre IP quando for adequado a seus clientes". A Brasil Telecom diz parecido: "Assim que acharmos o momento adequado, faremos um posicionamento sobre os serviços". Até lá, posicione-se, sentada, a patuléia. Com uns poucos acessórios (nada a ver com aparelhos especiais), qualquer computador ligado à rede por meio de um sistema de banda larga pode se transformar num telefone, com menos tarifas, menos impostos e mais recursos. Por exemplo: o cidadão tem conta em São Paulo, mas sua mãe mora em Manaus. Ele compra um número virtual no Amazonas e recebe telefonemas da mãe sem que ela pague a tarifa interestadual. Em 1999, Tim Berners-Lee, a pessoa mais próxima do título de "inventor da internet", já avisava que a ligação telefônica sem custo para o consumidor era coisa possível. Há aí uma complexa, e bonita, questão de política pública. A internet telefônica reduz em cerca de 80% o preço das chamadas para quem tem computador e acesso de banda larga. Ou seja, refresca a vida do andar de cima. Mais: ela desafia a abusiva tributação telefônica. Enquanto isso, o andar de baixo continuará preso ao celular, as tarifas mais altas do mercado. Quiseram tributar os ricos. Vão tungar os pobres. O que se pode fazer para aumentar o número de domicílios brasileiros com computador? Como se poderia trazer alguns milhões de brasileiros para dentro do serviço de banda larga? Vale a pena? Nessa hora, deve-se invocar o espírito de Sérgio Motta. Em 1995, os burocratas queriam que a Embratel (na sua encarnação estatal) tivesse o monopólio do provimento da internet. Havia 15 mil pessoas na fila, esperando para entrar na rede. Motta e FFHH chutaram o pau da barraca e entregaram o caso ao mercado. O Brasil já está grandinho. O governo deveria ir para a porta da Anatel para chamar empresários interessados em abrir negócios de internet telefônica. Se eles conseguirem clientes, parabéns. Se não, pena.
Escrito por Renate às 13h03
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A MORTE DE UM MICRO
para chorar de rir e quebrar o gelo
FONTE: http://coisasdetio.zip.net/arch2004-03-14_2004-03-20.html#2004_03-15_09_01_52-4450197
A Morte de um Micro 

Minha velha - e nada querida- impressora morreu. Como já havia tido muitos problemas, e sempre voltava com seu mau-humor, comendo e mastigando papel, imprimindo quando queria, chiava, fazia barulhos, vivia no conserto, resolvi ir ao shopping de informática e comprar uma nova. Decidi aposentar a velha HP ranzinza...
Entro na loja. Uma dessas mega lojas de informática. Uma mocinha loirinha, novinha, vem me atender
- Eu queria comprar uma impressora
- Pois não, qual tipo
- Jato de tinta
- Qual tipo?
Não entendi nada... impressora é impressora?! Mas fiquei calado...
- A mais barata que vc tiver. Só não quero mais a HP.
- Bom, temos essa aqui, que faz ... (um bla-bla-bla interminável, só falta a impressora servir cafezinho...)
Levo a impressora. Meu jurássico micro enfim ia Ter uma nova impressora! Arrasto móvel, pega lanterna, afasta fio, e lá vou eu procurar o buraquinho para conectar a impressora. Descubro que meu micro não aceita aquele cabinho, só aquele cabo chato, enorme.
Volto para a loja
- Oi!
- Ola! O sr. de novo?
- Sim, a impressora não cabe no meu micro
- Não "cabe"?!
- Sim, não serve, o meu cabo é esse.. (calma! Mostro o cabo da velha HP!)
- Mas a sua placa não é wfrsghwtwhsgyuwkosuy? Com 56 gsfsrauys de juhuhjjiii dfe de mmejdyysgdj??!!?!?! Tem rebimboca da parafuseta?
Juro que me senti o mais imbecil dos internautas! Como eu iria saber que língua era aquela, eu já tinha esquecido tudo sobre hardware, software, placas, fios, rabichos...
- Não sei...
- O SENHOR NÃO SABE QUAL A SUA PLACA-MÃE????!!!!!!!
- Não... (olhando em volta... naquele shopping de nerds eu deveria ser o mais analfabeto...)
- O senhor não tem entrada OSB?
- Eu sei lá o que é isso?
- Mas sua placa comporta?!... Dá para adaptar no slot?
Começo a ficar nervoso. Impressora para mim é impressora, é só conectar e pronto, eu lá sei que OSB é essa?
Resolvo ligar para meu cunhado, o verdadeiro "Dr. Frankstein" do meu jurássico micro... Coloco ele na linha com a loirinha, que passa a falar naquela linguagem de bytes, entradas e bandeiras, RAM, etc...
- O senhor precisa trocar sua placa-mãe.... a sua já é "placa-avó"...
Pego o celular e meu cunhado - Santo Júlio! - tem uma placa-mãe sobrando de bobeira em casa...
- Não troque a impressora, eu troco sua placa!
A loirinha, vendo que eu não iria mais devolver a impressora olha para mim e fala:
- Sr! O senhor tem de atualizar sua máquina, é bom ser atualizado em informática...saber o que vai comprar...
- Minha querida, eu estou na Web desde 1995, vc devia estar ainda aprendendo o que era um teclado! Eu não tenho memória suficiente no meu HD mental para guardar essas coisas supérfluas.
- O seu micro é velho. Eu posso montar um novo para o senhor. Eu mesmo monto.
Coitado do Micro Rex... foi para a casa de meu cunhado, que praticamente montou um micro novo, aproveitou só a placa de vídeo e os HD´s... o resto? LIXO! Achei um absurdo meu pobre micro, com seu gabinete cinza amarelado ir para o latão. Coitado! Trocado por Ter um buraquinho muito grande para a impressora! Tem de se Ter buracos menores hoje em dia!
Resultado: Ainda estou sem micro em casa, só fica tudo pronto na Terça-feira. Um novo Pentium, nova placa, nova placa de rede, novo mouse... caramba, até o buraco do mouse está menor!!!! E agora tem luzinha vermelha!!! Mouse com lanternas!!!!
Agora meu cunhado diz que terei "um micro" e não aquela "coisa velha" que ele montou em 1995....
Me senti um idoso! Caramba, analfabetismo digital!!!!! E meu filho de 5 anos entrou na Informática! Onde esse mundo vai parar com esses buraquinhos menores, e esses micros que se desatualizam rapidamente? Eu não tenho os bilhões do Bill Gates para gastar com micros novos...
Ao sair, olho para a lixeira e vejo meu velho e bom amigo, ali no seu gabinete inerte. Coitado!
Disfarço, abro a mala do carro e jogo meu velho amigo para dentro.
Certas coisas só tem espaço dentro do coração!
Escrito por Renate às 10h14
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COMPUTADOR COM TEMPERO
Leia a entrevista para a discussão em sala na semana do dia 14.03.05
Entrega do comentário em grupo na semana do dia 21.03.05.
Entrevista extraída da Revista Exame em 11.02.2004
Tecnologia é como o sal, diz consultor da Bain: todas as cozinhas têm, mas poucos cozinheiros sabem usar
EXAME Para David Shpilberg, responsável mundial pela área de tecnologia da informação da consultoria Bain, o foco das empresas na área de tecnologia deve mudar do "qual" para o "como". Em vez de preocupar-se com minúcias técnicas, o importante é saber utilizar os computadores. É hora de pensar como o cozinheiro. "O sal é estratégico para a cozinha? Não", diz o consultor. "Mas quanto você usa, quando... Isso faz um bom chef."
Qual é a importância da terceirização da tecnologia? A terceirização tem crescido de 8% a 10% ao ano em todo o mundo. É algo que chegou para ficar. Há claras vantagens econômicas e de desempenho, então diria que se trata não só de uma tendência, mas de uma evolução da tecnologia da informação. Essencialmente, como ela se torna mais usada, os benefícios não estão na singularidade, e sim na integração e na eficiência de seu uso. A tecnologia está se estabilizando, chegando perto do ponto de maturação. Assim como as empresas buscam melhorias, seus departamentos jurídicos, de RH, de contabilidade vão agora preocupar-se com a eficiência da tecnologia. E a terceirização é fundamental nesse sentido.
De onde virá a vantagem estratégica? Virá do "como usar". Windows ou Linux? Isso deixou de ser estratégico. A questão é como você usará a tecnologia para mudar seus processos de negócio. E isso não se terceiriza -- isso é gestão. O que você compra são os instrumentos.
Tecnologia não tem mais importância? Não concordo. Ainda há uma diferença: há empresas que sabem usá-la direito e outras que não sabem. Tecnologia é um ingrediente básico. O sal é estratégico para a cozinha? Não. Ninguém precisa saber dos detalhes de sua produção ou de sua procedência. Mas quanto você usa, quando você usa... Isso é o que faz um bom chef. Se você está cozinhando, sabe que precisa de sal. No máximo, que tipo quer usar. O mesmo acontece com TI. Você não quer saber dos detalhes. Se funcionar, está ótimo.
Mas, ao preocupar-se demais com a eficiência, não há risco de perder a chance de usar a tecnologia de modo estratégico? Criando novos produtos ou serviços, por exemplo. Pense numa empresa como a Nike, que terceiriza rigorosamente tudo. Eles lançam menos produtos? Não. Eles têm o controle do desenvolvimento e do marketing. Empresas virtuais podem continuar inovando. Eu diria até que a criatividade e a flexibilidade aumentam com a terceirização. Não há a obrigação de usar estruturas internas. Há mais opções.
O que a migração de empregos de alto nível dos Estados Unidos para países em desenvolvimento significa para a indústria de tecnologia? Ambos os lados se beneficiam. As companhias americanas só vão para o exterior porque encontram um benefício econômico. Esse benefício vai transformar-se em lucro, que vai se transformar em dividendos e, finalmente, em investimentos e consumo. Do outro lado do balcão, haverá salários mais altos, que circularão pela economia. Do ponto de vista da microeconomia, é claro que há impacto: há gente que vai perder o emprego. Mas haverá um reposicionamento, uma busca por novas capacitações.
Para refletir e discutir em sala na semana do dia 14.03.05
Supondo que você tenha o mesmo programa que o seu concorrente tem, como você imagina poder se diferenciar e criar novos produtos e serviços que ele não possa copiar?
Escrito por Renate às 10h00
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CIÊNCIA NA REDE
LEITURA PARA DISCUSSÃO EM SALA NA AULA DA SEMANA DO DIA 07/03.
Entrega do resumo na semana do dia 14/03.
CIÊNCIA NA REDE
O artigo abaixo é um exemplo de como podemos ter todas as tecnologias à nossa disposição e mesmo assim não conseguir realizar um projeto por conta de questões políticas ou falta de recursos. Esse artigo é um bom ponto de partida para se discutir a democratização da informação. Até que ponto ela pode ser pública ou quando ela deverá ser paga. Conheçam o Portal Scielo citado no artigo e indicado no meu blog em "Dicas de sites". Bem-vindos ao mundo virtual!! Aí vai........
FSP, 28/03/04 - Editorial
Uma das principais características do método científico é a ampla troca de informações entre pesquisadores. Ninguém, é claro, entrega ao laboratório rival o segredo que pode levar a um Prêmio Nobel, mas, uma vez concluído o experimento ou feita a descrição do achado -e requeridas as eventuais patentes-, é praxe submetê-los a publicação por um periódico de prestígio e auditado, ou seja, com o controle de qualidade que se chama de "peer review" (revisão pelos pares). Enquanto a pesquisa não é publicada, ela não existe para o mundo científico. É essa rápida troca de conhecimentos que permite o avanço da ciência. O experimento publicado logo é repetido por outros grupos que trabalhem na mesma área. Se houver erro no original, são grandes as chances de ele ser detectado. Pequenas variações na repetição podem levar a novas conclusões. Muitas vezes, um determinado achado é a peça que faltava para completar a pesquisa de outro grupo. É a publicação que integra os vários centros de pesquisa e dá organicidade à comunidade científica. Como não poderia deixar de ser, o advento da internet trouxe importantes repercussões para o mundo da ciência. Com facilidades como o correio eletrônico, nunca foi tão fácil -e barato- para um pesquisador trocar impressões com um colega em outro país ou continente. O meio das publicações científicas também foi afetado. Surgiram, nos últimos anos, uma pletora de novos títulos eletrônicos, que aliam a maior agilidade à redução dos custos com papel, impressão e distribuição. Questiona-se, também, o modelo de negócios das publicações. Os principais periódicos costumam cobrar -e muito- para ser lidos. A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), por exemplo, gasta cerca de US$ 20 milhões anuais para colocar os principais "journals" à disposição dos pesquisadores brasileiros em seu portal na internet. As publicações alegam -não sem fundamento- que têm custos muito elevados para manter equipes de editores especializados e cientistas que julgam o mérito de todos os trabalhos que lhe são submetidos pelos autores. O argumento não convence a todos, e já surgiram alternativas como "PLoS", sigla para "Public Library of Science", ou biblioteca pública de ciência. É uma publicação que nada cobra para ser lida. A idéia é especialmente sedutora para países pobres como o Brasil, cujos laboratórios e instituições de pesquisa nem sempre dispõem das centenas de dólares para assinar uma revista. No plano nacional, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) mantém o portal Scielo (www.scielo.br), que dá acesso gratuito a 120 publicações brasileiras. Infelizmente não existe almoço gratuito. "PLos", a exemplo de seus congêneres, tem custos que precisam ser cobertos. Assim, ela cobra cerca de US$ 1.500 dos autores para publicar um texto. Ainda não se sabe ao certo se esse é um modelo viável. Mesmo na hipótese de sê-lo, cabe lembrar que a taxa pode ser proibitiva para muitos pesquisadores do Terceiro Mundo. Trata-se, porém, de uma iniciativa que merece apoio e incentivo. No mínimo, por estar mais de acordo com a filosofia do método científico, que é a de dar a maior publicidade possível a experimentos e achados de pesquisadores.
Discutam e comentem:
- Como vcs acham que deveria ser o modelo de negócio de uma editora que publica periódicos? Formato impresso e eletrônico? Só eletrônico?
- Como ficam os acervos e o acesso à informação no caso da publicação ser apenas eletrônica?
- Como democratizar a informação e ao mesmo tempo reconhecer os direitos autorais?
- Identifiquem outros aspectos que vocês gostariam de citar.
Escrito por Renate às 13h48
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